Manter viva <br>a memória do Tarrafal
Trinta e seis anos se passaram desde o translado dos 32 resistentes antifascistas portugueses mortos no Campo de Concentração do Tarrafal. Para assinalar a data, cerca de 200 pessoas participaram, sábado, no Cemitério do Alto de São João, em Lisboa, na já habitual romagem ao Mausoléu dos Tarrafalistas, promovida pela União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP).
O momento – que este ano, pela primeira vez, não teve o apoio logístico da Câmara de Lisboa, o que foi muito criticado – contou com as intervenções de Feliciano David, do Conselho Fiscal, e de Ana Pato, do Conselho Directivo da URAP, seguidas de um momento de poesia e música, a cargo dos Jograis «U...Tópico» e do Coro Lopes Graça, dirigido pelo maestro José Robert.
Feliciano David lembrou que o Campo de Concentração do Tarrafal, criado em 1936 por Salazar, onde estiveram 352 antifascistas, 32 dos quais foram assassinados, foi inspirado nos campos de concentração de Hitler. «Homenagear os tarrafalistas e manter viva a memória do que se passou neste período negro do fascismo, e transmiti-lo aos mais jovens, é necessário para que estes não se esqueçam o que foi o fascismo, porque a democracia não é um dado adquirido para sempre», salientou, alertando para o facto de na Europa estarem a crescer «movimentos neofascistas, com particular gravidade na Polónia, na Hungria, na França e na Ucrânia».
Por seu lado, Ana Pato informou que a Federação Internacional dos Resistentes (FIR) está a promover a passagem da Tocha FIR – Embaixadora da Liberdade – por vários países, com o objectivo de assinalar os 70 anos do fim da II Guerra Mundial e combater fenómenos neofascistas, e que a URAP decidiu ter a Tocha em Portugal, de 2 a 15 de Fevereiro de 2015. «Autarquias, colectividades e professores têm vindo a mostrar interesse em colaborar com a URAP nestas comemorações, estando previsto que a Tocha percorra várias terras do País», anunciou.
Esta acção contou com a presença de representantes da CGTP-IN, da Confederação das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto, da JCP, do Conselho Português para a Paz e Cooperação, da Associação dos Sargentos da Armada e do General Pezatat Correia, e com o apoio de «A Voz do Operário» e da União de Sindicatos de Lisboa/CGTP-IN.